Novena de Natal: 4º dia – “Casa da Palavra, lugar do diálogo com Deus e paz com os irmãos”

Preparando o ambiente: Preparar o encontro familiar em torno da Bíblia aberta. Ao redor dela colocar retalhos de papel com as palavras: Deus, Humanidade, Paz, Encontro, Eu, Tu, Nós, Diálogo (uma palavra em cada pedaço de papel).

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4º dia da novena
“Casa da Palavra, lugar do diálogo com Deus e paz com os irmãos”.

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Canto: (Eis me aqui, Senhor, nº 5).

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1. Acolhida
A.: Neste tempo de Advento vamos preparando nosso coração, transformando-o numa simbólica manjedoura para acolher o menino Jesus, Príncipe da Paz, no mistério de seu Natal. Queremos que nosso encontro seja bastante familiar, lugar do diálogo com Deus, onde queremos escutar sua voz, e em família, Comunidade doméstica, responder à sua vontade e seu projeto de amor para nós, rezando pela paz em nossos corações, em nossos lares, na Igreja, na sociedade e no mundo.

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Queremos rezar também para que nossas Comunidades eclesiais sejam oásis de misericórdia, de perdão, de pacificação e cura dos corações feridos pela divisão, pela intolerância e pelo ódio. Que nossas Comunidades sejam casas de oração profunda, de mergulho na experiência do sagrado, de encontro com Deus em celebrações cheias de vida, onde também o silêncio nos permita a escuta, a harmonia da beleza de Deus revelada na diversidade do outro (DGAE 132-133).

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Enquanto cantamos, vamos verificar se em nossa casa há ainda algum aparelho ligado (televisão, computador, rádio) e desligá-lo, em sinal de comunhão e de encontro. Verificar se alguém na casa está fazendo outra coisa e convidá-lo para rezar em família.

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Cantar o refrão: É missão de todos nós Deus chama, eu quero ouvir a sua voz!

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2. Oração inicial
A.: Com a alegria de nos sentirmos Casa da Palavra, onde perseveramos na oração e no ensinamento do Evangelho, façamos a nossa Oração Inicial para todos os dias.
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A.: Senhor e Pai, em vossa presença rezamos a Novena de Natal, preparando-nos para celebrar o nascimento do vosso Filho e Salvador, Jesus. Ilumina a nossa caminhada com o vosso Santo Espírito, para que reconheçamos a nossa necessidade de conversão pessoal e nas nossas relações com Deus, com os irmãos e com a nossa casa comum. Saudemos a Trindade Santa, cantando: (canto n° 26).
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T.: EM NOME DO PAI E DO FILHO E DO ESPÍRITO SANTO. AMÉM.
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A.: Celebrar o nascimento de Jesus é abrir o nosso coração para que Ele possa nascer e renascer, crescer e transparecer nas nossas atitudes diárias, na vivência do amor e no diálogo respeitoso e fraterno com as diversas realidades que nos cercam.
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T.: VEM SENHOR, VEM NOS SALVAR, COM TEU POVO VEM CAMINHAR (bis).
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L1.: Celebrar o nascimento de Jesus nos compromete a anunciar a alegre esperança de vida, de cura e libertação, Naquele que se encarnou para nos dar vida plena.
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T.: VEM SENHOR, VEM NOS SALVAR, COM TEU POVO VEM CAMINHAR (bis).
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L2.: Celebrar o nascimento de Jesus tem o compromisso de fazer das nossas Igrejas e comunidades, casas de acolhimento, onde todos se sintam protegidos, amparados e amados.
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T.: VEM SENHOR, VEM NOS SALVAR, COM TEU POVO VEM CAMINHAR (bis).
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L3.: Celebrar o nascimento de Jesus é ver na Igreja um farol que nos indica por onde andaremos, alicerçada nos pilares do Pão, Palavra, Caridade e Missão.
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T.: VEM SENHOR, VEM NOS SALVAR, COM TEU POVO VEM CAMINHAR (bis).
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A.: Maria é a mulher do Sim, do silêncio e da oração. Celebrar o nascimento de Jesus é silenciar o coração e dar lugar à Palavra de vida que nos transforma, à Eucaristia que nos fortalece e à partilha que nos enriquece. É abrir o coração para que Deus nele faça sua morada.

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T.: VEM SENHOR, VEM NOS SALVAR, COM TEU POVO VEM CAMINHAR (bis).
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L1.: Jesus percorria todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando toda doença e enfermidade. Celebrar o nascimento de Jesus nos desinstala, por isso não pode nos deixar parados e nem calados, porque essa grande notícia nos impulsiona a sair de nós mesmos e partilhar a alegria do anuncio da Boa Nova. O “Ide e anunciai” nos coloca em permanente estado de missão.
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T.: VEM SENHOR, VEM NOS SALVAR, COM TEU POVO VEM CAMINHAR (bis).
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A.: Com alegria e esperança, iniciemos o nosso encontro.

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3. Entrando no clima
A.: A imagem de nossa Comunidade como “Casa do Pão” é precedida pela imagem, “Casa da Palavra”. Uma só casa, duas mesas. Dois momentos complementares de encontro com o Senhor. A Palavra nos direciona, faz caminhar com o Senhor, arder nosso coração na medida que Ele se nos revela, falando-nos ao coração. No Pão partilhado reconhecemos sua presença, experimentamos a comunhão, formamos comunidade. Assim, na Comunidade, nos alimentamos da Palavra e do Pão. A Palavra de Deus é um dos pilares que nos permite renovar a fé de que Deus está presente e atuante em nossa família, em nossas relações, em nossos papéis domésticos e cristãos em busca da paz e da comunhão. Deus fala conosco, mostra seu rosto, estabelece uma aliança de amor conosco, nos chama a participar de Sua Família, e por fim nos dá sua paz. Deus vem ao nosso encontro. Ele toma a iniciativa e sua proximidade é sempre um convite, nunca uma imposição. Deus comunica seu amor e nele, o desejo de nos salvar, por isso, se revela como comunhão deste amor e de paz.

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T.: Nosso Deus é comunicação de amor!

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L1.: Em Deus, a função de promover o encontro entre as pessoas divinas é dada ao Espírito Santo. É Ele o “nós” onde se encontram o “Eu” do Pai e o “Tu” do Filho. É no “NÓS” do Espírito Santo que somos reunidos, congregados para que em nossa diversidade possamos construir comunhão. O Espírito nos convoca, não só para ouvir a Deus e entendê-lo, mas nos convoca a ouvir o outro, nosso semelhante, na sua diferença e singularidade e construir com ele uma relação de paz. Ouvir o outro com respeito, ternura, caridade, acolhimento é um momento novo que sinaliza o Reino de Deus, fazendo do dividido uma unidade (Ef 2, 14).

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T.: “Deus chama a gente para um momento novo: fala, Senhor, queremos te ouvir!”

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L2.: Em Deus, a Palavra comunicada é o próprio Filho que se encarnou em nossa humanidade, nossa cultura, nossa linguagem, tornando-se um de nós para nos comunicar a alegria do Evangelho e o advento do reinado de Deus, sua justiça e sua paz. A Palavra de Deus foi pronunciada desde o presépio de Belém para preencher nossas cidades, famílias e relações com a luz intensa de seu amor. No Filho encarnado de Deus somos todos irmãos e irmãs e devemos viver fraternalmente buscando a unidade na pluralidade e desvendando que nossas verdades relativas, nossas convicções ideológicas, nossos caminhos diferentes, nossas escolhas subjetivas não nos impedem de acolher a única VERDADE que nos conduz a Deus e nos permite viver em paz.
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T.: Fazei Senhor que vivamos em paz e em fraternidade!

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L3.: Nossas casas devem ser lugares privilegiados do encontro pessoal e familiar com Jesus Cristo pela oração pessoal, familiar e pela escuta da Palavra. Assim, pelo encontro com o Deus da Palavra e da experiência de vida fraterna somos introduzidos no processo da vida cristã (DGAE 88-89), formando pessoas mais humanas, fraternas, solidárias e tolerantes. É do núcleo de nossas igrejas domésticas que colaboramos com a comunidade Igreja, casa da Palavra que nos orienta, ilumina e faz crescer como família de Deus.

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T.: Queremos ser a “Casa da Palavra”, onde a Comunidade se encontra e se alimenta da Palavra de Deus.

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A.: Celebrar o Natal de Jesus é renovar este encontro com Deus que nos comunica Sua Palavra silenciosa, encarnada na fragilidade de um menino recém-nascido e deitado numa manjedoura. É sempre de uma maneira nova, ouvir e acolher a Deus que nos chama a uma vida nova, iluminada, pacificada, partilhada com os irmãos, na família, na Igreja, na sociedade e no mundo. Celebrar o nascimento de Jesus é nos abrir ao outro e encontrar nele um coração que também é uma manjedoura esperando acolher o Menino Deus como sua Verdade, como seu caminho e sua perspectiva de vida. Cantemos, louvando ao Senhor!

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Canto: (Palavras de fraternidade, nº 11).

4. Palavra de Deus – Deus nos fala
A.: Entremos na “Casa da Palavra”, nossa Comunidade Eclesial, onde o Espírito abre nossos ouvidos e corações para ouvir, acolher, guardar, responder e frutificar a mensagem que Deus tem a nos oferecer como semente de seu amor. Cantemos para acolher a Santa Palavra.

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Texto Bíblico: Ef 2, 14-19 (Após proclamar o texto guardar um breve momento de silêncio para reflexão pessoal).

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Vamos conversar:

  1. Não basta ler e estudar a Bíblia. É preciso intimidade com Cristo pela oração. O encontro com a Palavra tem mudado a minha vida e lhe dado novo sentido, pacificando o meu coração para acolher o outro como ele é?
  2. Na minha casa, portanto, na minha família, na minha comunidade, tenho sido instrumento de paz? Consigo conservar a paz mesmo nas tensões, nas divergências, nos conflitos familiares e também comunitários?
  3. Estamos nos preparando para o Natal de Jesus como acontecimento e celebração da paz entre nós?

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Canto: (Senhor, vem salvar teu povo, nº 1).

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A.: Iluminados pela Palavra e pela partilha de nossos corações, ouçamos os testemunhos de vida que nos ajudam a refletir e a rezar, preparando-nos para o Natal do Senhor.

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5. Olhando para a vida: Um templo… para celebrar o único Natal.
No campo de refugiados, cristãos de várias confissões encontraram-se e começaram a ajudarem-se uns aos outros. Os católicos tinham pão e vinho; os anglicanos e luteranos tinham um antigo órgão e belos hinos; os coptas traziam seus sagrados ícones do crucificado. Mas não tinham onde celebrar o sacrifício e a santa assembleia.
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Foi quando o Padre Henrique formou uma pequena comissão de homens e mulheres de todas as confissões para sonharem com a possibilidade de construírem juntos um mesmo e único templo. Lá haveria um altar para a eucaristia; um coro para o órgão e o coral e um belo iconostásis para os crucifixos sagrados.
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Demorou muitos anos. Aqueles cristãos de muitas etnias, línguas diversas e histórias de fé diferentes aprenderam a tornarem-se de fato irmãos. E então, no natal de 1999, no novo templo, Jesus foi adorado e louvado durante todo o dia e toda a noite. Às 0 hora, os coptas iniciaram a divina liturgia que durou até o amanhecer. Às 9 da manhã, foram os luteranos que louvaram o Senhor. E logo após os anglicanos fizeram o seu culto ao Deus menino. E às 15 horas, os católicos iniciaram a procissão do Deus-Menino e logo a seguir celebraram a Eucaristia.
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Quando deram 19 horas, todos se reuniram no grande salão de festas para a ceia de natal. Todos vieram. Todos se sentiam uma única família, ao redor da mesma mesa.

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Para meditar, guardando no coração: O que fazer para nos assentarmos à mesma mesa com Jesus e com todos irmãos?

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Canto: (Virá o dia em que todos, nº 13).

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6. Preces
A.: O encontro com a Palavra ilumina e motiva a mudança, a conversão de vida para nos conformar com o modo de ser, de pensar e de agir de Jesus Cristo, por isso, dirijamos ao Pai a nossa oração para que possamos nos deixar conduzir e alimentar pela Sua Palavra que se encarnou entre nós, rezemos.

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T.: Senhor, alimentai-nos com tua Palavra de vida!

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L1.: Para que todos nós sejamos construtores da paz pelo testemunho de fé, pela convivência pacífica e pela fraternidade, rezemos.

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L2.: Para que possamos acolher os nossos semelhantes, na sua diversidade de opinião, de escolhas políticas, religiosas e culturais cultivando o diálogo maduro, responsável que nos confraterniza e permite viver em paz, rezemos.

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L3.: Para que possamos nos empenhar para celebrarmos o nascimento de Jesus como nossa PAZ, em fraternidade e diálogo, compromisso de amor em nossas famílias, igrejas e sociedade, rezemos.

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Preces espontâneas…

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8. Oração do Senhor
A.: Com fé e confiança imploremos a vinda do Reino de Deus rezando a oração da UNIDADE: Pai nosso…

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9. Gestos concretos: Fazer o exercício de restabelecer o diálogo com os familiares onde ele já não existe mais, onde ele está interrompido, abalado, insuficiente. Sugestão: enviar mensagens de paz pelo “WhatsApp” às pessoas com quem não temos falado a um bom tempo. Isso é ser instrumento de PAZ!

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Canto: (Oração de S. Francisco, nº 30).

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10. Oração final
A.: Senhor e Pai, ao encerrarmos nosso encontro, agradecemos vossa presença em nosso meio e suplicamos que a força transformadora do vosso amor nos renove a cada dia.
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T.: VEM Ó SENHOR COM O TEU POVO CAMINHAR/ TEU CORPO E SANGUE VIDA E FORÇA VEM NOS DAR.
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L1.: Derramai sobre nós a vossa graça, para que pela força do nosso batismo, impulsionados pelo Espírito Santo, instruídos pela Palavra e alimentados pela Eucaristia, sejamos alegres anunciadores do Evangelho da vida.
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T.: VEM Ó SENHOR COM O TEU POVO CAMINHAR/ TEU CORPO E SANGUE VIDA E FORÇA VEM NOS DAR.
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L2.: Infundi em nós um profundo amor à celebração da Eucaristia, favorecendo o verdadeiro encontro com o Ressuscitado, para que sejamos o coração, os olhos e ouvidos de Jesus no mundo.
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T.: VEM Ó SENHOR COM O TEU POVO CAMINHAR/ TEU CORPO E SANGUE VIDA E FORÇA VEM NOS DAR.
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L3.: Enviai-nos, Senhor, às periferias de nossas casas e comunidades, onde a vida é ameaçada, onde as diferenças nos desunem, onde a casa comum já não é mais a revelação da grandeza de Deus, onde a diversidade e pluralidade nos assustam e nos afastam, para que aí sejamos a Igreja de portas abertas, samaritana e servidora da vida.
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T.: VEM Ó SENHOR COM O TEU POVO CAMINHAR/ TEU CORPO E SANGUE VIDA E FORÇA VEM NOS DAR.
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A.: O Senhor esteja conosco!
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T.: Ele está no meio de nós!
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A.: Que a Palavra amorosa do Pai envolva nossa inteligência.

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T.: Amém!
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A.: Que o olhar amigo do Filho ilumine nosso coração.

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T.: Amém!
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A.: Que a força libertadora do Espírito Santo ilumine e impulsione nossas decisões e ações.

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T.: Amém!
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A.: Fiquemos em paz, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

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T.: Amém!